Fernanda Paiva

Humana. Até segunda ordem.

Espécie curiosa, tem como habitat natural seu ateliê e seu estúdio de tatuagem, mas também pode ser encontrada em cafés, sebos e lojinhas cujo estoque aparentemente não é atualizado desde 1993.

 Na tatuagem, encontrou uma forma de levar histórias para a pele, na cerâmica, encontrou uma maneira de dar corpo e espaço para as criaturas que antes habitavam apenas seus desenhos.

Acredita que a inspiração é um bicho tímido: aparece quando você presta atenção no mundo. Por isso, coleciona pequenas observações, curiosidades sobre animais e ideias improváveis que, algum tempo depois, acabam se transformando em uma baleia tocando banjo em um barquinho, um peixe atrasado para o trabalho ou qualquer outra criatura incomum que pareça ter escapado de um universo paralelo.

Seu trabalho nasce desse encontro entre natureza, imaginação e surrealismo. Seja através da tatuagem ou da cerâmica, sua busca é criar imagens que ultrapassem o instante em que foram feitas e construam uma conexão duradoura com quem as recebe.

Tem como missão criar peças que deixem de ser apenas objetos para se tornarem parte da memória de uma casa. Daquelas que acompanham aniversários, mudanças, despedidas, reencontros e atravessam gerações sem nunca perder seu lugar na estante.

Gosta de imaginar que, daqui a muitos anos, alguém vai olhar para uma de suas peças e dizer:

"Essa baleia sempre ficava na estante da casa da minha mãe."

E, se um dia uma de suas esculturas virar discussão sobre quem vai ficar com ela na partilha de bens da família, vai considerar que cumpriu exatamente o propósito para o qual a criou.